Amar é parecido com sofrer - Luís Melodia escreveu, não foi? Machado de Assis toca nisso na súbita consciência do amor entre Bentinho e Capitu:
" Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca."
Isso: felicidade e medo, a sensação de tocar por instantes um mistério sempre movente, como um fotograma que pára por um instante e logo se move na continuação do filme. Sempre senti isso em cada visão de mulheres que amei: um rosto se erguendo da areia da praia, uma mulher fingindo não me ver, mas vendo-me de costas num escritório do Rio... São momentos em que a "máquina da vida" parece se explicar, como se fosse uma lembrança do futuro, como se eu me lembrasse ali, do que iria viver.
Esses frêmitos de amor acontecem quando o "eu" cessa, por brevíssimos instantes, e deixamos o outro ser o que é em sua total solidão. Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto, dormindo, e isso despertam em nós uma espécie de "compaixão" pelo nosso próprio desamparo, entrevisto no outro.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Através de Clarice Lispector
"[...] Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada[...]"
sábado, 25 de julho de 2009
Relatos de um sentimento mudo II
Mas convenhamos, a vida nos faz tão pequenos. Nos preparamos para muito e choramos por menos
domingo, 12 de julho de 2009
Relatos de um sentimento mudo
Ela vai mudar, vai gostar de coisas que ele nunca imaginou.
Vai ficar feliz de ver que ele também mudou.
Pelo jeito não descarta uma nova paixão.
Mas espera que ele ligue a qualquer hora.
[...]
Ela vai ter medo de que um dia ela vá mudar,
E que aprenda a esquecer sua velha paixão!
Vai ficar feliz de ver que ele também mudou.
Pelo jeito não descarta uma nova paixão.
Mas espera que ele ligue a qualquer hora.
[...]
Ela vai ter medo de que um dia ela vá mudar,
E que aprenda a esquecer sua velha paixão!
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terça-feira, 16 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Who Will Believe In My Verse In Time To Come
Who will believe my verse in time to come,
If it were fill'd with your most high deserts?
Though yet heaven knows it is but as a tomb
Which hides your life, and shows not half your parts.
If I could write the beauty of your eyes,
And in fresh numbers number all your graces,
The age to come would say 'This poet lies;
Such heavenly touches ne'er touch'd earthly faces.'
So should my papers, yellow'd with their age,
Be scorn'd, like old men of less truth than tongue,
And your true rights be term'd a poet's rage
And stretched metre of an antique song:
But were some child of yours alive that time,
You should live twice, in it, and in my rime.
Shakespeare's Sonnet: 17
If it were fill'd with your most high deserts?
Though yet heaven knows it is but as a tomb
Which hides your life, and shows not half your parts.
If I could write the beauty of your eyes,
And in fresh numbers number all your graces,
The age to come would say 'This poet lies;
Such heavenly touches ne'er touch'd earthly faces.'
So should my papers, yellow'd with their age,
Be scorn'd, like old men of less truth than tongue,
And your true rights be term'd a poet's rage
And stretched metre of an antique song:
But were some child of yours alive that time,
You should live twice, in it, and in my rime.
Shakespeare's Sonnet: 17
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